Ao observar que as manifestações em defesa do impeachment da presidente Dilma foram "bem menos expressivas" neste domingo 15, o ministro da Justiça avalia que "isso demonstra que entramos em uma fase de superação de uma etapa política mais truculenta no país e estamos construindo agora o caminho para que possamos juntos sair da atual crise"; para José Eduardo Cardozo, apesar do risco de se abrir um processo de impeachment ainda existir, País passa por "novo momento"; sobre críticas que vem sofrendo diante de investigações da PF contra políticos, entre eles a família do ex-presidente Lula, Cardozo vê como "natural" e diz que seu papel é apenas intervir quando há abusos, não controlar as investigações
247 – Após avaliar como "bem menos expressivas" as manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff neste domingo 15, em diversas cidades brasileiras, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, acredita que o País tenha superado uma etapa "truculenta" de sua história.
"Foram manifestações bem menos expressivas como as que ocorreram anteriormente não só em Brasilia, mas em todo o país. Isso demonstra que entramos em uma fase de superação de uma etapa política mais truculenta no país e estamos construindo agora o caminho para que possamos juntos sair da atual crise", comentou.
O ato pela saída de Dilma realizado em frente ao Congresso Nacional reuniu cerca de duas mil pessoas, de acordo com a Polícia Federal. Para Cardozo, mesmo que exista ainda o risco de ser aberta, na Câmara, um processo de impeachment contra a presidente, o País passa por um "novo momento".
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Cardozo diz ver com naturalidade críticas por investigações de políticos pela PF
BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta segunda-feira que vê com naturalidade as críticas que sofre por causa das investigações de políticos pela Polícia Federal e que seu papel é apenas intervir quando há abusos e não controlar as investigações.
"É natural na vida política que, quando há uma investigação, as pessoas, ou por se sentirem injustiçadas ou como tese de defesa, busquem construir publicamente suas versões. O que me cabe fazer é intervir quando há abusos. Esse é meu papel", disse.
"Agora se alguém espera que eu controle ações dizendo quem deve ser investigado e quem não deve, se alguém acha que por ser meu amigo não deve ser investigado e por ser meu inimigo eu tenho que determinar uma investigação está muito enganado", afirmou.
Cardozo tem sido alvo de críticas constantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela atuação da Polícia Federal nas operações Lava Jato e Zelotes, e em outras que atingem o PT diretamente.
"Eu sou isonômico, não são só setores do PT que me criticam, outros dizem que eu instrumentalizo a PF. Nem uma coisa nem outra."
Em entrevista na saída de um encontro com o presidente em exercício Michel Temer, Cardozo disse que conversa com Lula regularmente, negando que não tenha diálogo com o ex-presidente.
Recentemente, a empresa de Luiz Cláudio da Silva, filho do ex-presidente Lula, foi objeto de busca e apreensão. Depois disso, agentes da PF foram à casa de Luiz Cláudio às 23h na noite da festa de aniversário de Lula, para entregar uma intimação para que Luiz Cláudio fosse depor, o que irritou ainda mais o ex-presidente. O procedimento foi considerado irregular, já que as intimações são, por lei, feitas entre as 6h e as 20h.
Cardozo confirmou que pediu uma investigação sobre o caso.
"A PF ainda está vendo a possibilidade. Se ficar comprovado que houve uma ilegalidade ou algo irregular, eu determino a abertura de um inquérito policial", afirmou.
MANIFESTAÇÕES
O ministro da Justiça também considerou que os ânimos no país estão menos acirrados, e disse que as manifestações pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que ocorreram neste último domingo, foram "bem menos" expressivas.
"É legítimo que as pessoas se manifestem, mas foi bem menos expressivo, não só em Brasília, como em todo país. Isso demonstra que entramos em uma fase de superação de uma etapa política mais truculenta e estamos construindo um caminho de agregação para que possamos juntos sair dessa crise", disse o ministro.
"Acho que é um novo momento, uma nova realidade que tem que ser aproveitada para que juntos possamos fazer com que o país volte a crescer, volte a seguir o caminho que vinha seguindo nos últimos anos", afirmou o ministro.
Em Brasília, cerca de 2 mil pessoas protestaram contra o governo. Na véspera do ato, um homem que faz parte de um acampamento que está há cerca de um mês na frente do Congresso pedindo o impeachment da presidente foi preso com diversas armas dentro de um carro. Cardozo informou que pediu um investigação para verificar se houve crime federal no caso.
Cardozo afirmou ainda que o movimento dos caminhoneiros, que parou estradas na última semana, já "deixou de existir".
"As manifestações deixaram de existir há alguns dias, o que mostra que a Polícia Rodoviária Federal, apoiada pela Força Nacional de Segurança e as polícias estaduais, agiram acertadamente e que efetivamente não eram manifestações que se baseavam em nenhum tipo de reivindicações, eram manifestações políticas", afirmou.
Questionado se agora com o fim do movimento o governo poderia receber lideranças, o ministro lembrou que o governo tem mesa de negociações instaladas e que se reúnem a cada 15 dias.
"O governo sempre esteve aberto ao diálogo com os caminhoneiros e por isso montou essa mesa. Agora, lamentavelmente, alguns setores dessa categoria resolveram fazer manifestações políticas fora dessa mesa", disse.
(Por Lisandra Paraguassu)